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Sempre fora um animal indomável, sem um verdadeiro dono, movido pelo instinto e pelas atitudes irrefletidas. As únicas satisfações que dava eram a si mesma e ao seu corpo, as únicas dependências eram o seu viver e o seu caçar. Não conhecia verdadeiramente os fios invisíveis de uma contenção, não acatava de forma voluntária e sem resfolegar qualquer domínio sobre si e sobre o seu corpo. Desconhecia, inconscientemente, a capacidade de outrem lhe conseguir dar numa singularidade só, a liberdade para tudo mesmo lhe pertencendo, desconhecia que alguma vez seria capaz de encontrar o livre arbítrio debaixo da alçada de um só corpo e de um só amor. Até que lhe queimou a pele e lhe imprimiu, numa tatuagem impossível de apagar, o seu nome e o seu toque, dando-lhe espaço para voar e ser livre debaixo das suas asas. Até que lhe viciou o corpo e o coração, num injectar de adrenalina com o doce sabor da paixão, oferecendo-lhe uma pertença que se completava por si mesma e onde cabia a satisfação de todos os seus ímpetos e todas as suas vontades, onde elas eram missão a cumprir e desejos a realizar por ele, com ele. Até que lhe deu a conhecer o mundo, o prazer supremo, o gozo conjunto, mantendo incólume e inabalável a certeza de que seriam um do outro por mais corpos que visitassem, por mais prazeres que experimentassem. 

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Tombada, aparentemente desfalecida, aguardava o momento em que ele entraria nela, preenchendo o vazio causado pela ausência, marcado pela falta de se saciar, pela dor física de não o ter, hirto, grande, firme, inteiramente dedicado a si. Indagava-se, de si e para si, de olhos fechados, como era possível tê-lo tão marcado no corpo, tão entranhado na pele, tão dono do seu prazer e prolongava os segundos que medeavam entre estes pensamentos e o momento em que se veria novamente preenchida, inteira, unida à peça do puzzle que a completava, para tão só desfrutar ainda mais do instante em que ele deslizaria para dentro dela, tocando-lhe no centro do seu corpo, roçando a perfeição de uma entrega. Abriu-se o mais que pode, ajeitou-se o melhor que conseguiu, deixando a descoberto o desejo e o desespero de o sentir de novo seu, em estocadas imbuídas de paixão, em investidas consumadas de prazer, em orgasmos expiatórios dos demónios que lhe consumiam a alma, dos obstáculos que se lhe impunham à plenitude. E, num rompante, sentiu a carga emocional transmutada em ardor, em fulgor, em regozijo, em trejeitos suspirados de prazer, num abraço de corpos, numa fusão de peles, num acariciar mútuo de almas.